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Sarah Bond fala sobre a expansão do Xbox no mercado de videogames

Abrangendo não apenas os consoles Xbox, mas também a nuvem e o PC

Em 2014, quando a Microsoft teve de demitir quase 10,000 funcionários e se reorganizar internamente após todo o caos envolvendo a compra bilionária da Nokia e o fracasso do Windows 8 no mercado, Satya Nadella, que era mais centrado na indústria de serviços e software baseado na nuvem, foi designado como novo CEO da empresa americana, e desde então o foco de toda a Microsoft passou a girar entorno do Azure e recursos de nuvem.

Na época, alguns analistas da Wall Street Journal (WSJ) disseram que a Microsoft pensava em vender seu negócio de jogos, o Xbox, que na época estava no início de sua terceira geração de vida, com o Xbox One. Em vez de desinvestir, a Microsoft dobrou de tamanho e recentemente mudou de uma abordagem centrada no console para um “ecossistema de jogos global onipresente” focado não apenas nos jogadores, mas em desenvolvedores e editoras de jogos.

Em apoio à mudança estratégica, a Microsoft formou seu Xbox Gaming Ecosystem Organization (GEO) em 2020, que cuida das necessidades dos criadores de jogos em todos os softwares e serviços da Microsoft, incluindo Xbox, Azure e Microsoft 365, todos dentro da divisão controlada pelo Chefe e CEO Phil Spencer. Em entrevista com a McKinsey & Company, Sarah Bond, atual Vice-presidente do Xbox, comentou sobre toda essas mudanças, e discutiu seu papel nos atuais planos da Microsoft para os videogames.

Falando primeiramente sobre a ênfase que a Microsoft vem colocando nos jogos, seja com os investimentos no Xbox Game Pass ou a compra de estúdios e até mesmo editoras como a ZeniMax Media em 2021 por mais de US$ 7,5 bilhões, Bond diz:

“Existem algumas razões pelas quais a Microsoft está colocando tanta ênfase e investimento em jogos. Em primeiro lugar, a missão da Microsoft é capacitar cada pessoa e organização do planeta para realizar mais. E os jogos são a forma de mídia mais prevalente e de crescimento mais rápido no planeta. E é a única forma de mídia em que você pode virtualmente andar no lugar de outra pessoa e realmente experimentar algo da perspectiva de outra pessoa. Para nós, participar de jogos é uma oportunidade de ter aquele impacto social no mundo e participar da oportunidade de negócio que está associada a ele.”
“A outra razão é que o futuro dos jogos está completamente interligado com a nuvem. Os jogos representam uma carga de trabalho extremamente complexa. A maioria das pessoas não pensa dessa forma. Eles pensam: “Oh, é um jogo”. Mas uma falha técnica tem consequências reais. Se um vídeo não carregar rapidamente, você o reinicia. Nos jogos, você pode perder todo o seu progresso, o que pode levar horas de esforço. Os jogos aumentam os recursos de computação. O jogo é interativo. É multivariante. Leva anos e anos para construir um jogo realmente envolvente.”

Ela também fala sobre o Game Stack e como seu suporte está interconectado diretamente com o Xbox Game Pass. Isso o tornaria uma plataforma distinta?

“O Xbox Game Pass é uma biblioteca baseada em assinatura em constante expansão. É jogável no console. É jogável no PC. É jogável no Android e agora em dispositivos iOS por meio da web. Quando criamos ele, o considerávamos um produto, para ser honesto sobre onde estávamos. Os jogadores diriam que querem uma biblioteca de jogos, querem que seja mais acessível. Então, foi assim que o construímos e rapidamente vimos que era, de fato, uma plataforma.”
“Isso porque o Game Pass não estava apenas agindo em nome do jogador. Ele também estava agindo em nome da desenvolvedora. E isso criou um volante cada vez mais acelerado porque, uma vez que os desenvolvedores ficassem ansiosos [para colocar seus jogos no Game Pass], mais jogadores iriam jogar os jogos, o que aumentariam a monetização, que os desenvolvedores usaram para fazer mais jogos, e isso continua e progride.”

Para dar suporte a tudo isso, Bond comenta sobre a reorganização interna dentro do Xbox:

“Há cerca de um ano, criamos uma equipe dentro do Xbox voltada aos criadores. Chama-se a organização do ecossistema de jogos. E tem cerca de 600 pessoas. Estamos localizados na China, Coréia, Japão, América Latina, aqui nos EUA em Redmond, Washington, na Europa, em todo o mundo. Nós nos concentramos em todos os relacionamentos que temos com os criadores de jogos na Microsoft e em todos os produtos da Microsoft. E também desenvolvemos e enviamos as ferramentas de desenvolvimento que os criadores também usam. Formamos o GEO há cerca de um ano para ter uma equipe que pensa nos criadores como clientes, por si próprios.”

Por fim, a Vice-presidente comenta sobre o tempo de criação de Jogos AAA atualmente e como a Microsoft tem a ambição de expandir a distribuição desses títulos para os “mais de 3 bilhões de jogadores” no mundo, algo que o próprio Phil Spencer já comentou anteriormente:

“Fazer jogos é muito difícil. Para um jogo AAA, 3 anos [de tempo de desenvolvimento] é ótimo, mas nos últimos tempos, 6 anos estão sendo necessários para um simples jogo de alto orçamento. Portanto, se pudermos reduzir seus custos de desenvolvimento e de operação, isso será um grande valor para os criadores de jogos.”
“E então, temos que garantir que seus jogos possam ser jogados em qualquer lugar é um valor enorme. Existem 3 bilhões de jogadores no mundo hoje. Existem cerca de 200 milhões que possuem um console. Dependendo de como você conta, há mais de 1 bilhão de pessoas jogando no PC. Se você puder fazer um mecanismo de distribuição para que um desenvolvedor possa alcançar todos os 3 bilhões de jogadores em potencial com uma instância de seu jogo, seus custos de desenvolvimento diminuirão conforme seu alcance aumenta. Isso é algo que nós do Xbox almejamos.”

Fonte:gamevicio