A guerra dos consoles acabou porque Playstation deixou Xbox para trás, diz Erik Kain

Há muita especulação e debate sobre a próxima geração dos consoles. PlayStation 5 da Sony vs Xbox Series X da Microsoft.

Ainda sabemos muito pouco sobre esses sistemas e muito menos sobre o PS5 do que sobre o Xbox Series X. Mas temos uma ideia de como serão esses consoles de próxima geração.

Revelações recentes da Microsoft sugerem que o Xbox Series X provavelmente será mais poderoso que o PS5, e o joguinho da Sony com a Microsoft a respeito do preço do console significa que o PS5 provavelmente será mais barato. Enquanto isso, o “Series” no título sugere que a Microsoft também lançará um Xbox Series S com um preço e poder menor, embora não esteja claro se esses sistemas serão lançados ao mesmo tempo ou se a Microsoft lançará mais tarde.

Existem outros detalhes, mas os deixaremos de lado por enquanto.

O debate sobre esses dois sistemas tem um terceiro componente: se os consoles ainda são relevantes. Recentemente, meu colega Kevin Murnane argumentou que não – que a guerra de consoles acabou e a Microsoft seguiu em frente, deixando a Sony para trás.

Por quê? Porque a nuvem é o futuro e a Microsoft, com sua infraestrutura robusta, superou a Sony. Afinal, até o chefe do Xbox, Phil Spencer, afirmou que os verdadeiros rivais da Microsoft nos jogos são o Google e a Amazon, não a Sony e a Nintendo.

Eu já escrevi sobre por que acho que essa obsessão pela nuvem é um pouco absurda. É ser muito otimista com a tecnologia, com pouco fundamento na realidade atual. A realidade sugere que os jogos baseados na nuvem e streaming de jogos ainda têm um longo caminho a percorrer e que os consumidores ainda desejam ter o hardware de jogos à sua disposição, mesmo que isso eventualmente acabe mudando. Não vai mudar agora, e a julgar pela confusão que foi o lançamento do Stadia, também não vai mudar tão cedo.

Deixando tudo isso de lado, acho que também é importante fazer um balanço da guerra de consoles entre a Sony e a Microsoft ao longo dos anos. Se a Microsoft abrir o caminho para um mundo sem consoles, certamente seria benéfico para eles. Afinal, eles sempre venderam menos sistemas do que a Sony ou a Nintendo. A Microsoft nunca esteve realmente em guerra com a Sony quando se trata de consoles. Na melhor das hipóteses, eles estão tentando recuperar o atraso (com uma exceção).

Aqui estão os dez consoles mais vendidos de todos os tempos:

  • PlayStation 2 – 155 milhões de unidades vendidas
  • Nintendo DS – 154.02 milhões de unidades vendidas
  • Game Boy / Game Boy Color – 118.69 milhões de unidades vendidas
  • PlayStation 4 – 108.9 milhões de unidades vendidas
  • PlayStation 1 – 102.49 milhões de unidades vendidas
  • Wii – 101.63 milhões de unidades vendidas
  • PlayStation 3 – 87.4 milhões de unidades vendidas
  • Xbox 360 – 84 milhões de unidades vendidas
  • Game Boy Advance – 81.51 milhões de unidades vendidas
  • PlayStation Portable – entre 80 a 82 milhões de unidades vendidas

Lá embaixo, em 15º lugar, você encontra o Xbox One, com um número estimado de 46.9 milhões de unidades vendidas. O Xbox original está em 19º lugar, com 24 milhões de unidades vendidas, atrás do Atari 2600, Nintendo 64 e Sega Genesis. Enquanto isso, PS1, PS2, PS3 e PS4 superam todos os sistemas Xbox.

É claro, existem consoles que fizeram menos sucesso do que o Xbox One – o GameCube, o Wii U, o Sega Game Gear e o PS Vita se saíram piores, e os números diminuem a partir daí. Mas o fato é que, entre os dez consoles mais vendidos da história, a Microsoft tem apenas um, o Xbox 360, e ele ainda está quase no final da lista.

Enquanto isso, o PlayStation domina as 1ª, 4ª, 5ª, 7ª e 10ª posições – metade do top 10 são sistemas da Sony. Quatro do top 10 são sistemas da Nintendo. Apenas um pertence à Microsoft.

Nesse sentido, Spencer está certo. A Microsoft realmente não está competindo com a Sony ou a Nintendo. O Xbox nem está na mesma liga. Perseguir um futuro baseado na nuvem faz ainda mais sentido quando você pensa dessa forma, mas com o confronto de titãs no final deste ano ainda é óbvio que a Sony e a Microsoft estão muito investidas na criação de hardware no momento.

Isso também faz sentido. A melhor maneira de convencer os jogadores a usarem o software Xbox é vendê-los o hardware Xbox. E até que isso mude, a balança ainda está pendendo pro lado da Sony, graças à sua linha mais robusta – e exclusiva – de jogos. Como argumentei no passado, a Microsoft está sendo incrivelmente generosa com seus exclusivos first-party, os quais estarão disponíveis no Xbox One, Xbox Series X e PC.

E agora que a Microsoft revelou que você só precisará comprar esses jogos uma vez e poder jogá-los em qualquer uma dessas três plataformas, eles certamente deram aos jogadores um motivo para atualizarem para o hardware mais recente. Afinal, você simplesmente não precisará mais do seu Xbox One, já que todo esse catálogo acompanha o Xbox Series X, e qualquer jogo que você comprar, como Cyberpunk 2077, no Xbox One, será automaticamente convertido para as versões do Xbox Series X gratuitamente ( somente títulos e editoras/desenvolvedoras participantes).

Mas por outro lado, você não precisará ter tanta pressa para atualizar para outro console, pois todos os exclusivos do Xbox Series X poderão ser jogados no seu Xbox One ou PC. Você pode economizar seu dinheiro e comprar um PS5. Afinal, o único lugar em que você poderá jogar exclusivos do PS5 (excluindo títulos cross-gerações) será em um PlayStation 5.

Para mim, pelo menos, esse é um ponto de venda muito forte para o próximo sistema da Sony e também um forte ponto de venda para cada um dos consoles anteriores. É um forte ponto de venda para o Nintendo Switch também.

É por isso que a Sony ainda será a líder da próxima geração. A Microsoft está acertando bastante no momento, não me entenda mal. Eles têm sido mais comunicativos sobre o Xbox Series X do que a Sony sobre o PlayStation 5, e não há dúvidas de que focar no poder e oferecer aos jogadores muitas opções de como e onde jogar é extremamente amigável com o consumidor, o que eu acho surpreendente e impressionante. Mas a Sony lançará grandes jogos exclusivos obrigatórios – mais jogos da Naughty Dog, outro God of War, outro Spider-Man, algum jogo da FromSoftware, e assim por diante – e isso impulsionará as vendas do PS5.

A corrida será mais igualada dessa vez? Eu suspeito que sim. A Microsoft não está estragando sua revelação e lançamento como fez com o Xbox One. A Microsoft queria que esse sistema fosse tudo para todos e pareceu se esquecer que era basicamente uma máquina de jogos. Os jogadores pareciam não ser o foco. A Sony foi capaz de se aproveitar da má fama e reação negativa dos jogadores, e isso definitivamente ajudou a obter uma vantagem inicial. O custo mais baixo do PS4, o design mais atraente, a dependência inicial do Xbox One no Kinect – tudo isso conspirou para garantir que a Sony tivesse uma boa largada, e nenhuma dessas coisas (exceto possivelmente o preço) dará à Sony essa mesma vantagem agora.

Mas os jogos são importantes. O conteúdo é quem manda. Sendo tudo relativamente equilibrado, por que não comprar o sistema com os jogos que você não pode jogar em nenhum outro lugar, especialmente se você pode jogar jogos do Xbox Series X no console ou PC que você já possui?

De qualquer forma, acabei fugindo do ponto que eu queria chegar. A questão é que a Sony está dando voltas na Microsoft há anos, com exceção da disputa acirrada do PS3/Xbox 360. Se, ou quando, o inevitável futuro da nuvem chegar e a Sony precisar alugar servidores da Microsoft para transmitir seus jogos aos consumidores, então podemos dar a vitória para a Microsoft. Mas esse dia ainda parece estar muito longe para mim.

Tradução da fonte:forbes